quarta-feira, 11 de junho de 2008

O Anoitecer... ( Amanhecer pt. 3)


Como é belo o som desse luar....
As vozes indistinguíveis...
Os sonhos que flutuam...
Como flechas, perfuram o silêncio.

"Então eu acordei... Devo ter adormecido sobre a sombra Desse lugar, aonde eu acostumei a me sentar e sonhar como uma criança... Aonde meus sonhos estranhos tentavam inutilmente me matar..."

Como é bela a ausência da certeza...
Que no véu da noite a lua emoldura...
toda história bela...
é feita de reticências...

"A relva cresceu... quanto tempo se passou? Não importa, há um longo caminho a ser percorrido. Belo caminho..."

com o beijo da brisa anuncia-se o silêncio...
E a paz maior... que a floresta mantem.
Mas as reticências começam a se fragmentar...
E enfim, com medo... DESPERTO.

"Eis que de sonho a beleza se mantem, sem sonho... a criança em mim, se torna tão velha quanto o sol poente... de que vale a noite, se não existe o repouso?."

Não pedi para que se iluminasse a escuridão...
Que é a sabedoria humana senão mero prazer?
Qual é a beleza da vida se pra tudo existe resposta?
Não...
Posso ser o homem mais estranho do mundo...
Mas prefiro o véu da ignorância,
Do que a triste estrela da certeza...
Quem sou sem a ignorante certeza de que há algo de sublime em cada natureza...
Algo de belo, para poder contemplar cheio de dúvidas...
Como posso sonhar com amor...
se o amor é só parte de um processo...
Como posso aceitar ser chamado de cego,
Quando eu enxergo na verdade uma bomba armada...
De um mundo futuro...
Sem o sublime medo da noite...

"Sonho com dias maravilhosos que nunca viverei... Desenho nas nuvens formas que nunca tocarei... Sob o seio daqueles que amei... que nunca conhecerei... Sonho com a música da vida, que permanece. Sonho..."

Desenho nas nuvens...
Desenho o amor...
Mas ele não existe...
Desenho a alegria...
Mas ela não existe...
Desenho o carinho...
Mas ele não existe
Desenho o passado...
Mas ele não existe.

"Lembranças do futuro... O sonhador do passado... Não vive mais... Mas o tempo insiste em tornar real cada passo em falso, cada segundo de alegria, vale anos de sofrimento... O tempo só cura feridas que nunca existiram..."

Meia-noite...
Não mais batalhas a se enfrentar...
Não mais calor...
Hora de repousar...
Como é belo o som do adormecer...
Finalmente me devora...
Enquanto eu tento não sonhar...
Para que meus criadores possam me provar...
que sonhar foi em vão...
Que cada passo alegre era um arranjo maldito
Para a mais bela queda...
Para o mais profundo mergulho..
Para a luz mais escura...
Para meu lar
Meu desespero...
Meu mundo...
Meu amor...
Inventados para serem eternos...

"Eu apenas segui meus sonhos, e encontrei meu caminho para casa, deixando esta vida, como uma pintura no oceano, tudo que eu queria deste lugar... Era poder amar cada segundo... Cada ínfimo movimento das árvores, cada som de tranquilidade e paz... E eu encontrei no amanhecer... Um caminho de volta para casa..."

1 comentários:

Deborah disse...

toda história bela...
é feita de reticências..."

mas nesse caso foram muitas. As reticencias retiraram as conexões do eu-lírico...como em um filme. De uma leitura geral não se afirmou real,por mais que possa parecer ou ser.
Além disso, os pensamentos conflitantes do eu-lírico em alguns pontos foi desconexo...solto. Como um pensamento, uma idéia. Volátil, tal qual a aparente sorte do personagem principal, o se juntar os 3 textos. De fortuna variável, porém se tomarmos por base os 2 últimos textos, de cadeia constante.

 
© Direitos e Esquerdos Reservados à Renato Snowareski Gomes