sábado, 1 de agosto de 2009

Nightingale


Quieto eu estava, na varanda, atento aos ruídos no cais
Que apenas compunham o som da noite, nada mais...
entre as ondas sussurrantes, quebrou-se a paz.
Gritava a donzela, entre prantos: 'Meu Deus, onde estais'

Logo atrás de si, corria desesperado, o senhor seu capataz
levando em sua mão um punhal cravejado de cristais
Com ódio nos olhos, força nos pés, nada mais...
Gritava-lhe insano "Rouxinol, não cantarás mais"

Cansada, ela se virou, fechou os olhos, "tanto faz..."
Uma pistola em sua mão, um estampido surdo, nada mais...
Sentiu fraqueza, caiu no chão, sentiu que era tarde demais...
Em seu peito jazia funda, a espada de seu capataz..

Corri com minha alma, mas a distância era grande demais.
Armas inúteis, vidas jovens, nada mais...
Ela respirava lentamente e sussurrava "Nunca mais"
A tomei nos braços , quase morta, dentre as ondas brutais..

Por longos dias velei, em silêncio, nada mais...
Às vezes me perguntava curioso... "Rouxinol, onde estais?"
Quando meu piano quebrou o silêncio dos meus umbrais,
Em seu rosto um sorriso encheu-me de paz.

Mas por mais que eu tocasse, eram sorrisos, nada mais...
Uma musa adormecida, machucada, destroçada demais.
Como magia, ela jazia viva ou morta, tanto faz..
Só lembro de quando ela se foi, (voôu talvez)... E eu a vi? Nunca mais...

1 comentários:

lucy disse...

tocante... adorei,.,,

bjus

 
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