sábado, 7 de junho de 2008

Lúxuria


E a inocência partiu, e deixou em seu lugar o sentimento dos cheiros, toques e desejos malditos... Desejos que rasgam a alma e impelem ao delírio... Delírio... A pele macia distorcida envolve o que resta dos sentidos e cega a aparente tranquilidade que envolvia o olhar... Então destrói-se completamente e irrompe em uma torrente frenética de sabores indistinguíveis... MAravilhoso delírio das trevas por trás das velas preciosas derretidas pelo calor infernal... Progressivamente se transorma em desespero, ondas e movimentos do mar em fúria em crescente tempestade, e como um trovão que perfura o negro do céu em chamas, Tao efêmero quanto a vida, num grito de loucura, se evanesce do tempo e faz-se eterno quanto um segundo...

E então reina o silêncio...

Dissolve-se em harmonia divina,e recria-se num átimo... Desenha-se então entre os corpos uma linha tênue que divide ou une o amor e o desejo... do desejo se cria a saciedade... do amor se cria o cativeiro, e do desejo e do amor, se cria o paraíso, para o qual a morte, o desespero e a embriaguez, são apenas símbolos de suas respirações lentas e cativas...

Despede-se num sono profundo... Morto para poder acordar... Cego, para poder enxergar... A verdade por detrás dos espinhos de um rosa... aonde se escondem suas pétalas... A insanidade... O silêncio...

1 comentários:

Deborah disse...

construção interessante e conteúdo...bem
gostei da técnica de narrar e não narrar ao mesmo tempo.

O texto é ambiguo, mas (novidade) é essa a intenção. rs

kiss

 
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