segunda-feira, 17 de julho de 2006

A última lágrima de Anne



Ela estava sozinha... Aguardando apenas o dia seguinte. Seus olhos gritavam solidão... O que a esperava no amanhã? Pouco se importava.

Mais um dia se passou. Seu passado a assombrava como um fantasma obcessivo. Mas ela se mantinha imóvel, vendo sua vida passar como um filme. E bem lá no fundo de suas lembranças, ela encontrava momentos que a corroíam como vermes,. Tentava se livrar, então via-se cercada pelos mesmos malditas e sutis mémorias de momentos desgraçados e doces que ela tentava evitar.

Por fim o cansaço a levou para o mundo dos sonhos, onde ela se viu cercada de amor, num mundo colorido e alegre, e de longe... Alguém sorria. Então como se derretesse, tudo some aos poucos, e o terror faz com que ela se debata. Então a vida lança sobre ela um frio balde de realidade... Não há mais o que se fazer.

Mas o tempo decidiu passar... Tornando-a pálida como a lua. Via em si a maldição, e se sentia o próprio mal. Contra sua vida tentou, mas a morte não a abençoou.

Então, num relance, com suas últimas energias, pulou fora da escuridão. Sentindo a pele queimar, banhou-se no sol... Sua pele realmente...
Queimava...

(O mundo... Já não é tão belo.
O sol... Já não aquece... Queima.

2 comentários:

Deborah disse...

Uhn...me faz um favor
NÃO PARA DE ESCREVER!!!!
Quero ver até onde vi essa saga.
Ps: tem certeza q já não me ouviu dizendo ou escrevendo a ultima frase???

Deborah disse...

Algo que ficou marcado em mim a respeito deste texto foi a idéia de que a tentativa para sair do estado de solidão, da decadência emocional, refugiando-se temporariamente em sonhos, lembranças - que aparentemente são luzes, como os raios de sol - é quase que um suicídio espiritual...pobre Anne...

 
© Direitos e Esquerdos Reservados à Renato Snowareski Gomes